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24 de Outubro de 2008

Vida

A minha vida é uma eterna ressaca
Moral
É o copo pela metade,
É o calafrio medonho
carnal

É a frase que eu não devia ter dito
ou o adeus que não soube escutar
É o silêncio que abafa o meu grito
É meu peito que não tem mais lugar

A minha vida é uma eterna saudade
Da vontate que eu tinha de amar
É uma eterna busca por nada
em cada abraço que esqueci de dar

É o soco no vazio
é o abismo sem fim
é o exagero, é a fuga
é a lágrima que enxuga
a trêmula mão

é o pois é, é o senão
é o espinho na garganta
não adianta, não adianta

Minha vida é o rascunho
do destino mal feito
é a dor por testemunho
do estilhaço no peito

É errar, é vagar
É buscar esse sei lá o quê
que não está aqui
que não está lá
que não se toca, nem se vê
que não me toca, nem você

postado por: Gabriel Vinicius Moura às 24.10.08

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24 de Setembro de 2008

Medíocre!

Pegue a métrica, a poesia
dobre em mil dobras vincadas
engula à seco a covardia
Rasque a agenda, o dia-a-dia
Eles nunca foram nada

Entre as pernas o orgulho
Meta e olhe para o chão
Fure o ego, que é inflado
Você é cego, é até pecado
Não lhe dizer e com razão
Que seu sorriso é forçado
Sua arte inexistente
Tenho dó dos do seu lado
Que são todos inocentes
Idolatram um tapado
Idolatram um doente

A mediocridade é comum
a quase todos os mortais
Mas achar que ela é genial
Isso é falta de vergonha!
Isso é efeito colateral
De quem vive em jejum
de uma vida visceral

E é plastificada sua essência
sua cara e aparência
até o jeito sujo e desleixado
é simplesmente planejado
E feito em plena consciência
Porque quer ser descolado
Porque quer ter sapiência
Mas é pobre, é um coitado
E não merece nem clemência

Vá fazer a sua arte
e os quase cinco que lhe cercam
No seu mundo, todo à parte
Batem palmas, esperneiam

Todos são assim frustrados
tão ou mais do que você
E vivem tão desesperados
Que dá pena só de ver

Querem ter sua atenção
Querem parecer alguém
Querem parecer demais
Serem excepcionais
Mas não são nada além
De medíocres, de banais
Que precisam se isolar
na redoma do ego falso
de alguém pra bajular

E nessa troca de favores
Vão lambendo seus tumores
Disfarçando seus odores
De carniça e ilusão

Vocês são todos imbecis
Inúteis, infelizes
Criancinhas por um tris
de se afogar no dia a dia
Do mundo que é real
e morrer na agonia
de quem nunca beberia
A genialidade imortal

Não se é gênio, só se nasce
sem nem mesmo perceber
Quem se acha não se encontra
Vai viver sempre medíocre
e medíocre vai morrer...

postado por: Gabriel Vinicius Moura às 24.9.08

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1 de Agosto de 2008

Abraço

Chorei até secar a alma
como dói dizer adeus!
E cada cheiro de cada gesto
fez uma casinha só sua no meu peito

E até o sol se foi
quando minha vida partiu
Daquele abraço guardo cada segundo,
o nó na garganta, o suspiro profundo
Sempre achando que deveria ter durado mais
Só um pouquinho mais!


Ah! Se o tempo tivesse parado
Eu apertaria o abraço mais forte
Pra sentir coração com coração
E ficaria assim, tão apertado
Que o próprio tempo choraria de emoção

E quando os olhos ficam mareados
A gente lembra que a vida é assim mesmo
E a saudade, a gente vai guardando, assim de lado
Pra num dia qualquer, afogar de vez
Dilácerá-la sem piedade entre nossos corpos
Em mais um abraço
Pra sufocar de alegria
Em mais um abraço...

postado por: Gabriel Vinicius Moura às 1.8.08

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15 de Junho de 2008

Qual é a sina do moleque sem nação
cujo destino é vagar na escuridão
num desatino, implorando por perdão

Desde menino ele já sabe a lição
contra fuzis só há pedra, braço e mãos
não há direito, só há ódio até então
num quarto estreito, pai e filho, mãe e irmão

pro que foi feito já não há mais solução
tem tanto sangue não se sabe a razão
tem tanta gangue sem alma nem coração
só no palanque oferecem proteção

Tantos garotos ali na televisão
"Todos marotos, desordeiros sem noção!"
É, propaganda convence a população
e gera ódio sem julgar, condenação...

Assim seguimos, "o problema é educação"
e conseguimos sangrar mais um coração
o nosso hino idolatra a solidão
e vão caindo os pedaços de intenção

E quais destinos haverá para o perdão?
se o interino é quase nunca uma exceção

não vá caindo na sarjeta - por que não?
se bebe pinga é pra esquecer a solidão
não tem ainda idéia da situação

se encolhe a noite, a alma torta de emoção
Sem traveseiro, sem coberta nem colchão
tem por consolo cimento, inquietação

Um dia cansa de esperar na imensidão
E faz justiça com seu sangue, por que não?
Se isso atiça ódio e nunca compaixão
Não é problema de quem vai na contramão
dentro carro que comprou a prestação

Comendo lixo, eles não têm outra opção
Qual é a sina do moleque sem nação?...

postado por: Gabriel Vinicius Moura às 15.6.08

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